Classificação: BB
Ano de lançamento: 1985
Melhor música: VÍTIMA
Resenha:
Você quer primeiro as boas ou as más notícias? Comecemos pelas boas: a Rainha do Rock voltou! Rita e Roberto é o primeiro disco da década de 1980 em que o tal de Rock Enrow predomina.
Mas não se trata de um retorno às origens. Rita fez melhor e olhou para frente. Em vez de apenas ligar as guitarras, Roberto e Rita incorporam teclados e programações que remetem às bandas inglesas da época, em arranjos que quase sempre ainda soam modernos.
Para completar, o disco marca ainda o reencontro de Rita com dois velhos parceiros d’Os Mutantes. É de Sérgio Dias a guitarra cortante de Vítima, a melhor faixa de Rita e Roberto. Quem também dá as caras (e o contrabaixo) é Liminha.
Mas eu disse que não tinha apenas boas notícias. Mesmo com um grande esforço promocional, Rita e Roberto passou longe de ser o grande sucesso dos trabalhos anteriores.
Se eu pudesse resumir em apenas uma frase o que deu errado, diria: faltou o hit.
Rita desta vez não foi capaz de escrever nenhuma canção que grudasse nos ouvidos. Exceto, talvez, por Choque Cultural, mas pelos motivos errados.
A aura “gótica” não é desculpa para o relativo fracasso radiofônico. Mesmo as faixas mais animadas do disco não empolgam.
Se não há hits, tampouco há clássicos absolutos em Rita e Roberto.
A canção que chega mais perto dessa condição é Vírus do Amor. Temos ainda o curioso caso de Vítima, redescoberta uma década mais tarde quando se tornou o tema de abertura da novela A Próxima Vítima.
Se não foi suficiente para trazer a rainha de volta ao trono, o lançamento de Rita e Roberto ao menos serviu para apagar o gosto amargo de Bombom.
De quebra, mostrou que a dupla ainda podia encontrar novos caminhos dentro do rock. A rainha não voltou ao trono, mas reencontrou o caminho do castelo.
Faixa a faixa:
Vírus do Amor: Devia ser o grande hit do disco, mas o tema pesado da letra (Aids) e o arranjo sofisticado impediram o vírus de pegar nas FMs. Nota 9
Yê Yê Yê: Um rockzinho ao estilo Tutti Frutti, talvez inofensivo demais para ser lembrado na carreira de Rita. Nota 7
Vítima: Uma canção claustrofóbica como o ar de São Paulo, fria a ponto de fazer o ouvinte transpirar. Para escutar no escuro, enxergando os vizinhos nos prédios ao lado. Nota 9
Molambo Souvenir: Uma mistura sem muito tempero de bossa com samba-canção. Nota 6
Glória F: Curioso pensar que uma das músicas mais divertidas do disco conte a história de uma mulher que se despedaçou depois de se atirar do viaduto do chá. Nota 8
Nave Maria: Uma música de Caetano que pega emprestado um conceito de Tom Zé, com um arranjo que poderia ser de uma canção de Tom Zé. Nota 6
Noviças do Vício: Alguém poderia resgatar essa como trilha sonora da era dos influenciadores, se a canção fosse boa o suficiente para viralizar. Nota 6
Choque Cultural: Só existe uma coisa pior que refrão ruim: refrão ruim e grudento. Talvez seja apenas choque cultural (é normal). Nota 5
Não Titia: Rita respondeu em forma de canção aos rumores de que estava doente. A brincadeira talvez funcionasse em 1985. Hoje, fica difícil achar graça. Nota 3
Faixas:
Vírus do Amor (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
Yê Yê Yê: (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
Vítima: (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
Molambo Souvenir: (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
Glória F: (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
Nave Maria: (Roberto de Carvalho / Caetano Veloso)
Noviças do Vício: (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
Choque Cultural: (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
Não Titia: (Rita Lee / Roberto de Carvalho)

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