Resenha de Rita Lee - Zona Zen: flerte quase fatal com a irrelevância

Classificação: BB

Ano de lançamento: 1988

Melhor música: NUNCA FUI SANTA

Resenha:

Se o nome desta página não fosse Discoteca Completa, dificilmente eu perderia tempo escrevendo sobre Zona Zen. Se nem a própria Rita Lee defende, não será aqui que este disco encontrará a redenção.


Não que ouvir ou mesmo escrever sobre Zona Zen seja uma tortura. Acredite, seria até mais simples (e prazeroso) se o disco fosse ruim. A impressão a que se chega ao fim da audição é algo ainda pior: uma espécie de vazio existencial.


Antes de prosseguir, um pouco de história. Rita Lee chegou ao estúdio sem ideias, mas o disco novo para aquele ano de 1988 estava no contrato com a gravadora. Essa falta de inspiração se reflete até na duração: oito míseras faixas em menos de 30 minutos.


A parceria com Roberto de Carvalho também parece arranhada. Apenas três canções de Zona Zen são da dupla. Rita decidiu compor sozinha outras três faixas, e não posso dizer que foi uma má ideia. Para ficar num único exemplo, Nunca Fui Santa é uma das melhores músicas dela em anos.


Uma pena que a energia da canção que abre o disco vai se perdendo, como se Rita também fosse largando a mão e passasse apenas a cumprir tabela. O reflexo para o ouvinte é nítido.


Longe de ser um disco ruim, Zona Zen foi capaz de um feito mais cruel: relegou Rita Lee a uma certa irrelevância no fim dos anos 1980. Talvez por isso mesmo esta resenha se faça ainda mais necessária.

Faixa a faixa:

Nunca Fui Santa: Quase uma declaração de princípios de Rita Lee, é um marco dessa fase da carreira da roqueira. Nota 9


Independência e Vida: Um rock bem genérico, mas ainda assim irresistível, com uma pegada pop que é a marca registrada de Rita. Nota 8


Livre Outra Vez: Boa balada acústica, ainda que não chegue aos pés de clássicos como Lá Vou Eu. Nota 8


Sem Endereço: Esta versão divertida e jovem guarda de Chuck Berry ajuda a manter o disco numa nota alta. Nota 7


Zona Zen: Uma típica balada de Rita e Roberto e um dos últimos suspiros criativos da parceria, pelo menos dessa fase em que assinaram os discos juntos. Nota 8


Cruela Cruel: Enterrada por sintetizadores dos anos 1980, é perturbadora. Mas apenas no sentido de ser chata mesmo. Nota 5


Cecy Bom: Esta versão pseudocarnavalesca de uma música francesa entra para o rol de músicas inesquecíveis e desnecessárias de Rita. Nota 4


Maná Mané: Essa letra “legalize” talvez rendesse melhor como um reggae. Seja como for, não se encaixa bem nem no disco nem no repertório de Rita. Nota 6



Faixas:

  1. Nunca Fui Santa (Rita Lee)
  2. Independência e Vida (Rita Lee)
  3. Livre Outra Vez (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
  4. Sem Endereço (Chuck Berry - versão: Rossini Pinto)
  5. Zona Zen (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
  6. Cruela Cruel (Rita Lee / Roberto de Carvalho)
  7. Cecy Bom (André Hornez / Henri Betti - versão: Rita Lee)
  8. Maná Mané (Rita Lee)

Assista a Rita Lee cantando e dublando tocando bateria em Zona Zen:



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