Classificação: AAA
Ano de lançamento: 1968
Melhor música: ALEGRIA, ALEGRIA
Resenha:
A definição de disco revolucionário precisou ser atualizada depois que Caetano Veloso colocou na rua o seu disco homônimo de 1968. Foi um pequeno passo para ele se pensarmos que se passou apenas um ano desde o álbum de estreia. Mas um enorme passo para a música e (por que não?) para a cultura brasileira.
Em uma palavra, Caetano Veloso (1968) é um disco provocador. Tudo o que faltou em Domingo aqui tem de sobra: arranjos desconcertantes, letras que vão além do poético e uma aura que convida o ouvinte a todo momento a sair do comodismo.
O projeto gráfico reflete bem o estado de graça do disco, na capa de Rogério Duarte e no texto alucinado (e alucinógeno) escrito à mão pelo próprio Caetano.
Eu poderia continuar a resenha nessa linha, mas não vim aqui para explicar nem para fazer uma análise sociológica. Até porque Caetano Veloso, o disco de 1968, é divertido demais para ser levado tão a sério. Quem lê tanta notícia, não é mesmo?
Basta escutar com atenção a faixa de abertura. Tropicália é um hino no andamento, uma galhofa com os símbolos nacionais na mensagem e um chamado à mudança, apenas para que as coisas continuem como estão.
Caetano aponta sempre para frente, em uma estrada repleta de curvas, altos e baixos que não vão dar em lugar nenhum. É essa sensação de nunca chegar e estar sempre em movimento que torna o disco tão relevante até hoje.
Nessa verdadeira montanha-russa sonora em que Caetano nos coloca, o melhor a fazer é se deixar levar pelo turbilhão de emoções e sensações. A experiência de ouvir este disco pode ser boa ou ruim, mas nunca indiferente.
Eu vou, por que não?
Faixa a faixa
Tropicália: Caetano organiza o movimento, orienta o carnaval e inaugura um verdadeiro monumento na cabeça de quem ouve. Nota 10
Clarice: Talvez seja a canção que melhor represente o disco, uma espécie de opereta que funde a tradição do cancioneiro à colagem sonora de Caetano. Nota 10
No Dia Que Eu Vim-Me Embora: Singela, uma das mais líricas do disco, caberia bem no álbum de estreia de Caetano, não fosse o final apoteótico, que traz outra vida à canção. Nota 9
Alegria, Alegria: Sem lenço e sem documento, Caetano pintou um novo Brasil no mapa e mudou a forma de se fazer e perceber uma canção. Nota 10
Onde Andarás: Uma deliciosa mistura de bossa com samba-canção tropicalista. Curtinha, quase passa despercebida. Nota 8
Anunciação: Nenhuma ligação com a música de Alceu Valença. Aqui, a letra em certos momentos parece mais inspirada em O Bebê de Rosemary. Nota 8
Superbacana: Canção que traz um roteiro pronto para virar um filme da Marvel — ou do Casseta e Planeta. Nota 10
Paisagem Útil: Referência esperta à música de Tom Jobim (Inútil Paisagem) e uma crítica à grana que ergue e destrói coisas belas. Nota 7
Clara: Os arranjos inusitados e a voz de Gal Costa (aqui também mais solta) fazem a diferença. Nota 9
Soy Loco Por Ti, América: Uma obra-prima de Gil e Capinam que ganha uma força ainda maior na voz de Caetano e na estética deste disco. Nota 10
Ave-Maria: As missas seriam bem mais animadas se tocassem essa música na igreja. Nota 9
Eles: Nada melhor do que encerrar o disco com um “baião tropical”. Verdadeiro tesouro perdido do disco. Nota 10
Faixas:
- Tropicália (Caetano Veloso)
- Clarice (Caetano Veloso / José Carlos Capinam)
- No Dia Que Eu Vim-Me Embora (Gilberto Gil / Caetano Veloso)
- Alegria, Alegria (Caetano Veloso)
- Onde Andarás (Caetano Veloso / Ferreira Gullar)
- Anunciação (Caetano Veloso / Rogério Duarte)]
- Superbacana (Caetano Veloso)
- Paisagem Útil (Caetano Veloso)
- Clara (Caetano Veloso)
- Soy Loco Por Ti, América (Gilberto Gil/José Carlos Capinam)
- Ave-Maria (Caetano Veloso)
- Eles (Gilberto Gil/Caetano Veloso)

Vontade de ouvir esse disco assim que chegar em casa!! Viva Caetano!!
ResponderExcluirViva a Bossa, sa, sa
ExcluirViva a Palhoça, ça, ça, ça, ça...